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Não se apaixone demais por sua empresa
Fonte: Curriex

A mensagem título parece ser forte demais e pode sugerir que você tenha uma atitude rebelde e indiferente com seu trabalho. Mas não é isto. Estudando e observando as relações de trabalho ao longo dos últimos anos, podemos constatar que tem sido um grande erro o profissional ter um comportamento apaixonado pela empresa, muitas vezes com igual intensidade que acontece nas relações amorosas entre muitos casais e entre quase todos os adolescentes.
Nas relações pessoais existem uma real possibilidade e probabilidade de continuidade. Essas relações começam sem compromisso com um flerte e vão se aprofundando. Em seguida, vem a ficada, o namoro, o noivado, o casamento, os filhos, os netos etc. As pessoas vão se conhecendo e se entregando umas às outras, numa relação de interdependência, de mútuas resignações, compartilhando realizações, bens e também sofrimentos.


Em geral essas relações são de continuidade e só excepcionalmente, embora nos tempos atuais com muita facilidade e freqüência, são interrompidas - para melhor ou para pior ou nem uma coisa e nem outra.


Já nas relações de trabalho, em decorrência de mudanças profundas nas relações comerciais entre as empresas, entre os mercados e entre os países, como estas que estamos vivenciando nos dias atuais - e que estamos acostumados a chamar de o fenômeno da globalização, as palavras chaves são: qualidade, produtividade e competitividade.


E o que realmente importa é se você está ou não contribuindo para isso. A pressão por esses resultados obriga as empresas a terem uma conduta mais objetiva e prática em relação à sua permanência ou não em seus quadros, com diferentes graus de abordagem em cada uma delas.


Cada vez mais, a lógica atual, a nosso ver insensata para os padrões e necessidades sociais e humanas, acena para relações não tão duradouras como outrora, gerando relacionamentos, entre empregado e empresa, efêmeros, de curto e médio prazos.


É o que tem acontecido em nossos dias, por conta deste fenômeno econômico. Um enorme contingente de trabalhadores, em toda a parte do mundo, a despeito de seus sentimentos em relação à empresa, da dependência econômica, da dedicação e lealdade ao trabalho que tem tido com ela durante anos a fio, de repente é colocado em disponibilidade - muitas vezes de forma humilhante e do dia para a noite.


E isto não acontece porque as empresas sentem prazer em maltratar seus empregados. Na realidade, um processo de desligamento é muito traumático, tanto para a empresa quanto para o profissional. Para a empresa, porque isto custa muito caro e acarreta sérios problemas no ambiente organizacional. Sem contar o fato de que muitas vezes, com a demissão, parte da história da empresa, do conhecimento, do talento e da competência vão embora juntos. E para repor tudo isto, haja dinheiro e tempo!


Os desligamentos, quase sempre, ocorrem por necessidades objetivas de sobrevivência do negócio, por necessidades mercadológicas e / ou tecnológicas, por obsolescência de produtos e serviços e por uma outra série de outros fatores, nem sempre de domínio da empresa. E cada vez mais essas necessidades e mudanças ocorrem em uma velocidade cada vez maior do que antes. E a empresa precisa se adaptar, e rápido, doa a quem doer, sob pena de seu desaparecimento.


Daí, vem a nossa recomendação. Dedique-se à sua empresa com lealdade, com determinação, com profissionalismo. Vista a camisa e a cabeça, como se diz por aí. Viabilize condições de realizar-se profissionalmente nela, mas não se apaixone, enquanto estiver lá. Você tem coração - a empresa não.


E cada vez mais, apesar de as empresas neste cenário altamente competitivo terem que estabelecer relações cada vez mais de parceria com os seus empregados, elas serão menos paternalistas e mais profissionais, sempre buscando melhores resultados. E este comportamento, a longo prazo, poderá custar o seu emprego e a sua estabilidade - econômica, emocional e psicológica.


Diante deste cenário, até que novas abordagens, novas mudanças, novas atitudes etc. sejam introduzidas nas relações capital e trabalho, não é aconselhável colocar todas suas fichas e confiar o seu destino na empresa, por melhor que ela seja. É neste sentido que não dá para se apaixonar por ela.


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