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15/9/2003 20:55:15 - A revolução do aprendizado nas organizações
Fonte: Jornal do Comércio
Nos últimos anos, o conceito de aprendizado vem mudando radicalmente em todo o mundo. Por iniciativa de grandes corporações multinacionais, como GE, GM, McDonalds, Xerox e Disney, ou nacionais, como Brahma e Algar, entre outras,a distância entre o conhecimento e o mercado começou a encurtar, com a criação das chamadas Universidades Corporativas. Só nos Estados Unidos funcionam atualmente mais de 2 mil instituições desse tipo. A filosofia que norteia as Universidades Corporativas é a de que o conhecimento é perecível e que todo processo de aprendizado deve levar em conta sua aplicabilidade ao cotidiano das pessoas. Ao contrário dos programas de treinamento convencionais, a formação oferecida pelas Universidades Corporativas pode ser definida como holística,ou seja, como algo muito mais abrangente e que estimula não apenas o crescimento profissional, mas também o desenvolvimento pessoal. Outra peculiaridade dessas instituições é que elas não se limitam aos empregados de uma organização; tendem a estender sua influência também aos clientes,fornecedores e todos os demais integrantes da cadeia de valor, e têm seus objetivos totalmente vinculados às estratégias organizacionais. Síntese. Mais recentemente, com a aplicação de ferramentas da tecnologia de informação ao conceito de Universidade Corporativa, surgiu uma síntese revolucionária: a Universidade Corporativa Virtual. Já não há mais limites de tempo nem de espaço para a gestão do conhecimento, agora integrada à gestão da aprendizagem. Todo o imenso acervo de informações disponível na Internet pode ser interligado a acervos específicos, como sistemas de informações gerenciais, indicadores de desempenho, biblioteca, centro de documentação, normas e padrões, manual da qualidade, treinamento, data mining e Intranets. Com a chegada do WBT (Web Based Training) e dos sistemas gerenciadores desses treinamentos, as últimas barreiras para o uso dos computadores na capacitação de pessoas foram superadas. No campo gerencial, a novidade é que os sistemas já permitem o monitoramento e controle do processo de aprendizado, possibilitando a um coordenador de área saber, online, quando, onde e por quem um determinado curso está sendo feito. A tendência para os próximos anos é que as instalações físicas das Universidades Corporativas sejam gradativamente substituídas por estruturas virtuais. Estima-se que 50% do treinamento nessas instituições, já neste ano, estejam sendo feitos com o uso de tecnologias de ensino não presenciais. Os custos do treinamento à distância via rede informatizada são sensivelmente menores do que os do treinamento presencial. Com isso, a implantação de uma Universidade Corporativa, antes privilégio das grandes corporações, viabiliza-se para empresas de menor porte, que podem se consorciar ou terceirizar o serviço. Pesquisa feita em 120 Universidades Corporativas norte-americanas por Jeanne Meister, a maior autoridade mundial nessa área, mostra que o gasto médio por empregado está em US$ 1.100, correspondendo o total a 5% da folha de pagamentos. Interesses. A maior vantagem trazida pelo avanço tecnológico, no entanto, é que as Universidades Corporativas podem cumprir integralmente uma de suas funções primordiais: alinhar os interesses das pessoas com os da organização. Ao permitir, em um sistema WBT, que a matéria que está sendo aprendida seja "linkada" com sites complementares na Internet, ampliam-se os horizontes e aprofunda-se o conhecimento dos aprendizes. O empregado que estiver pesquisando um novo produto ou serviço pode, por exemplo, visitar os sites de concorrentes com produtos similares. Da mesma forma, é possível a inserção de links para a Intranet da empresa, onde as normas, padrões, políticas, processos, programas e experiências estão registrados. Tornando-se virtuais, as Universidades Corporativas ampliam suas possibilidades de responder às questões relacionadas à gestão do conhecimento e da aprendizagem nas organizações, na media em que aceleram e barateiam os custos do aprendizado organizacional tão sonhado por Peter Senge, autor consagrado de A Quinta Disciplina. No Brasil, o treinamento corporativo através da Internet pode revolucionar o mercado B2B (Business-to-Business). Estimado atualmente em R$ 1 bilhão anuais, esse mercado deve se expandir a taxas aceleradas nos próximos anos, acompanhando a necessidade de aprendizado contínuo e just-in-time das organizações que lutam para permanecer no mercado na era da globalização.

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