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Emprego e Salário ou Trabalho e Renda?
Fonte: Curriex
Quando se fala em trabalhar, a imagem que logo vem à nossa mente é a do emprego convencional, em uma grande e boa empresa, com uma ótima remuneração, um plano de benefícios atraente, com perspectivas de desenvolvimento pessoal e profissional e segurança profissional. Rapidamente descartamos uma série de outras formas de trabalho, tão ou mais gratificantes, compensadoras e realizadoras que o emprego convencional. Dificilmente paramos para avaliar quais as outras maneiras, em forma de desenvolvimento de produtos e ou prestação de serviços, em sintonia com as necessidades atuais e, principalmente, futuras, do indivíduo, da empresa e da sociedade como um todo seríamos capazes de desenvolver.
É muito possível que, se pararmos para verificar quantas outras alternativas de trabalho poderíamos ter desempenhado no passado, estar desempenhando no presente e desempenhar no futuro poderemos constatar que canalizamos esforços e nos submetemos a uma série de sacrifícios com a. nossa formação acadêmica e profissional, senão totalmente perdidos ou desnecessários, provavelmente inadequados ou em vão.
De repente, poderemos ter passado a vida toda nos preparando para sermos dinossauros, em termos de utilidade profissional. A frustração aumenta quando se percebe que todos os esforços nada tinham a ver com a nossa vocação, idealismo ou interesse - quer pessoal ou profissional.
Devemos, pois, ficar atentos às várias outras formas de trabalho, além do emprego convencional, para as quais possuímos capacitação ou potencial para ser desenvolvido, que poderemos nos valer ao longo de nossa trajetória profissional, às vezes simultaneamente, paralelamente ou complementarmente; de forma autônoma, com vínculo empregatício, como empresário, em regime de cooperativa de trabalho ou sob outras maneiras legalmente disponíveis e ao nosso alcance.
Ao fazer esta avaliação e análise, considere o seguinte: As empresas, em todo o mundo, com raríssimas exceções, ao longo dos últimos 15 anos, vêm maltratando muito os seus trabalhadores, com as suas fracassadas reengenharias e outras modas surgidas ao longo deste período, promovendo cortes e ajustes precipitados e colocando um enorme contigente deles na rua da amargura, de uma hora para outra, de forma implacável e traumática.
Em muitas ocasiões, para isso, foram utilizados critérios de escolha duvidosos e em algumas situações foi lançado mão de expedientes vergonhosos e humilhantes de escolha e de comunicação de dispensa, que assustaram e incomodaram muito, a ponto da pergunta título, que poderia ser uma questão de semântica, passar a ser uma dúvida realmente muito pertinente para muitas pessoas.
No Brasil, há uma maciça campanha diária falando em redução do custo Brasil, normalmente associado ao peso dos encargos trabalhistas e outros direitos dos trabalhadores, numa alusão de que o emprego é algo insuportável para as empresas em geral, sugerindo medidas que quase sempre visam atingir o bolso do pobre do trabalhador empregado.
Diante disto tudo, será que vale a pena ficarmos só procurando por um novo emprego, na forma convencional, e correr os riscos de novo? Será que devemos nos preparar (ou nossos filhos) para conseguirmos um bom emprego no futuro? Ou será que é chegada a hora de procurarmos outras alternativas lícitas, tão compensadoras, gratificantes e realizadoras quanto o tradicional emprego para ganharmos nosso sustento?
Você deve refletir muito sobre isso para tomar uma decisão, principalmente se você, de fato, tem as condições mínimas para poder fazer esta escolha. E, se optar por retornar ao mercado de trabalho, na forma de empregado, lembre-se do que já foi dito e abordado em outras passagens neste trabalho: não se apaixone demais por sua empresa, para que as frustrações e decepções passadas não voltem no futuro com a mesma intensidade e amargura atuais.
Considere ainda que sempre houve e continuará havendo muitas excelentes oportunidades de trabalho, em forma de emprego, muito mais interessantes que qualquer negócio próprio, de pequeno e até mesmo de médio porte. É uma questão de prospecção e até mesmo sorte, mas existem.
Também não seja ingênuo, acreditando que ser dono do próprio nariz, a qualquer preço, é melhor do que trabalhar como empregado. Lembre-se. Estamos no Brasil. Um país com uma legislação complexa e exageradamente burocrática, uma carga tributária sufocante, juros fora da realidade mundial, estabilidade econômica sustentada por medidas legais e artificiais; políticas contencionistas e protecionistas altamente manipuladas ao gosto dos governantes e políticos de toda a espécie.
Ser, portanto, dono do próprio nariz neste ambiente requer do profissional vocação especial para o negócio, recursos financeiros para sustentar e fazer vingar o projeto, habilidade e conhecimentos reciclados constantemente, muita garra e determinação, muito jogo de cintura, capacidade de negociação, antena ligada com o macro ambiente e muita disposição para correr riscos. Sem esses requisitos o empreendimento torna-se uma aventura, com chances mínimas de prosperar.
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